Tornados da Minha Vida

3 01 2011

Dei uma fugidinha do blog porque precisava dar um jeito em mais um dos tornados de pensamento que aparecem dentro da minha cabeça. Foram alguns dias em que aconteceram tantas coisas importantes que  exigiram algum tempo de reflexão pra entender o porquê daquilo ter acontecido, se bem que eu não entendi a razão de algumas delas.

Poucos dias antes do Ano Novo, resolvi mostrar o meu blog ao meu casal de melhores amigos héteros numa conversa do MSN. Considerava eles pra caramba e eram as pessoas mais especiais pra mim, pois sempre foram os primeiros a me escutar, me ajudavam a tomar decisões… e contei primeiro para eles que eu era gay. Ampararam-me quando precisei e sempre estiveram presentes… Contudo, algo inesperado aconteceu. Minha amiga ficou um tanto chocada porque coloquei partes da minha vida na internet… Como se meu blog fosse acessado por todas as pessoas do mundo, ¬¬”. Tanta gente que faz isso, porque eu não posso fazer também? E quando eu disse isso, ela me rebate com a seguinte frase: “Se colocar um bacalhau na cabeça fosse moda, você também colocaria?”. Olha, essa foi a frase mais ácida que alguém já poderia ter me dito, ainda mais por ela, porque considerava minha melhor amiga. E mesmo depois da rasgação de seda em desculpas por ambos os lados sobre coisas irrelevantes para serem escritas aqui, creio eu que esse ácido da frase acabou por dissolver o tênue laço que nos unia. Pior que isso, pra mim, foi meu amigo ter sumido da conversa (que era a três). Não disse um simples “já volto”, nem nada. Por várias vezes eu perguntei onde ele estava e a minha amiga respondia um parco “é… ele deu uma sumida…”. Eu sei que podem ter acontecido várias coisas que requeriram a atenção dele naquele momento, mas pra mim o silêncio dele foi igualmente ruim.

Porra, não criei esse blog pra ser popular e nem porque mundos de gente criaram também e acharam legal. A finalidade do blog é ter um diário online que pessoas possam ler e comentar, não? Eu estava sozinho, enquanto eles estavam preocupados com seus próprios problemas e mal tinham tempo pra fazer outras coisas. Eu como não sou amigo chato, criei o blog (como o próprio nome já diz) pra me confessar, pra liberar minhas angústias e compartilhar minhas alegrias e fazer amigos.

No dia 31, eu estava bem desanimado, pois as memórias ainda ressurgiam dentro da minha mente. Memórias sempre felizes, dos momentos que já tínhamos vivido juntos e tal… Tentei me confortar com algo que alguém me disse quando contei do ocorrido: “Você ainda não encontrou o seu lugar ideal, e, por isso, ainda não encontrou amizades realmente verdadeiras. Eles estão vivendo no mundinho deles. Você sempre pensou além do que seus amigos pensavam, não só eles, mas todos os outros com quem você tentou fazer amizade. Não se preocupe… Você não vai estar sozinho pra sempre não, pode crer.” Foi duro? Foi, mas eu escolho continuar vivendo do que ficar choramingando.

A virada do ano foi regada a champagne e alguns entoos de “Adeus Ano Velho, Feliz Ano Novo”, enquanto os fogos saltitavam pelo céu escuro. Confesso que o pessoal do meu bairro se superou nessa queima de fogos. Várias queimas em vários lugares, e duas delas foram bem perto da minha casa. A luz cintilante e o barulho ensurdecedor dos fogos levaram pra longe a minha tristeza e me fizeram ver que as pessoas estavam felizes naquele dia, soltando fogos e desejando prosperidade para o próximo ano… Tenho um pouco de vergonha de dizer, mas tem quatro ou cinco anos que eu passo a Virada do Ano de camiseta e cueca vermelhas pra ver se atraio um pouco de sorte no amor, apesar de não ser muito supersticioso… hehehehe

Será que não precisei dessa sorte da virada? Acho que não… Quero mais é ver meu Pianista de novo… *-*

Um Ano Novo cheio de realizações a todos!

 

Jovem Urso





Distanciamento…

13 10 2010

A cada dia que passa, eu não me sinto mais parte da minha família. Por quê? Não aguento mais tanta gritaria e tanta desordem por causa de coisas poucas. Dizem que família é assim mesmo, mas eu não me acostumo. Não tenho mais paz dentro da minha própria casa. Todos os dias tenho que conviver com os gritos da minha mãe com a minha irmã… E olha que minha irmã só tem sete anos. Está crescendo tão estúpida e tão sem freios quanto o tio dela foi quando pequeno… Ainda bem que esse já se mudou do quintal… Era um bom amigo pra certas coisas, mas era uma pessoa horrível no geral. Temo que esse seja o destino da minha irmã. Ela é prepotente e “boca-dura”, E SÓ TEM SETE ANOS…

Creio que meu tempo dentro dessa casa esteja se esgotando, pouco a pouco. Quero ter o meu apartamento pra poder viver minha vida em paz e sem ter que esconder de ninguém quem eu sou. Sinto-me angustiado toda vez que tenho que parar para medir palavras, de modo que minha máscara não caia… O pior é que essa angústia não cessa… Do contrário, ela cresce… Cresce toda vez que me vejo num ambiente livre e que posso ser quem eu sou de verdade e não preciso esconder-me dentro de facetas para agradar os outros… Acho que devo ser um imbecil por ter achar que tenho que agradar os outros, mas eu tenho que manter as relações estáveis por aqui, ou pelo menos tentar, pois as coisas não estão nada estáveis por aqui… Problemas financeiros, problemas familiares… É… vou levando a minha vida, que já não é muito simples, aos trancos e barrancos pelos quais a minha família passa…

Quero me libertar de tudo isto! Quero sim, e quero muito!!… Mas parece tão distante, tão onírico… Essa história de me libertar… Hah! Sinto-me pensando como um revolucionário francês no século XVI. Desejo um mundo melhor pra mim, um mundo livre, um mundo onde eu possa mandar em mim…

Na verdade, por trás dessa revolução de palavras… Eu acho que só quero me ver longe da minha família… Por mais doloroso que seja. É… preciso partir, partir pra longe e começar minha vida sem que seja controlado pelas rédeas de tradição e superstições impostas por eles…

Sei que estamos em outubro ainda e faltam 2 meses para que o ano acabe, mas… 2011 promete…

 

Filhote Solitário





Espelhos e escolhas

22 09 2010

Talvez essa seja a escolha errada, ou talvez seja a certa e eu ache errada, mas olhando pra dentro de mim… Creio que seja a melhor escolha a se fazer. Acho que o armário é um lugar bastante confortável. However, eu não esconderei que sou gay, caso me perguntem. Acredito que os outros não precisam ficar sabendo publicamente até que perguntem, a não ser as pessoas pelas quais realmente estimo e que não sabem da minha condição.

Acho curioso como meus colegas da faculdade são bem ceguetas. Desconfiam que as pessoas erradas sejam homossexuais. Que tolinhos… Só porque não me pareço c/ uma drag queen, não quer dizer que não seja um. E o pior é que sei que eles pensam mais ou menos assim. Se contasse abertamente pra eles, acho que cairiam duros no chão, hahahaha

E quanto a esse lance de “as aparências enganam”, eu acho que minha camuflagem anda meio falha. Desde que saí do armário pra algumas pessoas, eu mesmo me vejo bem óbvio para que os outros percebam e… (não que eu ache errado) não me sinto bem assim. Prefiro continuar no anonimato e ser feliz assim, apesar das críticas que acabam fazendo aos homossexuais… Hmmm… Acabei de pensar algo diferente… Ficar no anonimato ATÉ QUE o assunto do papo/conversa/roda de amigos me atinja. É hipocrisia continuar escondido só pra se proteger e não ligar pro que falam de ruim na sua frente sobre você ou sobre algo que você é.

Como disse, antes eu tinha medo que soubessem da minha homossexualidade, agora estou pouco me lixando pro que dizem. Só me importo se uma pessoa realmente querida se afastar de mim por conta disso, caso contrário…

Ahhh, outra coisa. Ultimamente andei olhando algo sobre o chamado “Movimento GLBT” ou whatever… Creio que a mídia deturpa muitas das ideologias que eles tem (óbvio, é a única coisa que a mídia faz…). Concordo com várias delas, porém não concordo em ficar ostentando bandeiras por aí, fazendo paradas gays a torto e a direito. Fico pensando… que é isso?? Micareta gay? (sim, pois no dia seguinte o que mais se vê nas ruas são camisinhas e mais camisinhas, misturadas c/ penas de boá) Acho que isso sim prejudica a imagem que têm de nós. Eu me orgulho de ser gay, mas não pisaria numa “parada do orgulho gay”. Pode ser um pensamento individualista, mas é o que eu acho. Daqui a alguns anos pode ser que isso mude e que o simbólico “orgulho gay” que ostentam por aí se torne uma manifestação menor e cultural, como é o caso da “consciência negra”, que também é um movimento expressivo de outra parcela da população que foi seriamente prejudicada e alvo de preconceitos.

Acho que vou ficando por aqui, meus pensamentos estão ficando confusos e preciso fazer trabalhos da faculdade. See ya’ll!

Filhote Solitário








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