Inspirações – III

15 12 2010

Pássaro Errante

É mais uma noite de festa no litoral… Eu só quero saber de me divertir, como sempre. Bom… não se há muito o que fazer quando se é belo, simpático e todos requisitam sua presença. Apesar disso, não me incomodo com esse assédio. Sinto-me bem, muito bem. Tão bem que posso circular pelo pier sem medo de olhar nos olhos de qualquer cara que está a dançar e arrancar um sorriso de seus lábios.

Mas sempre que avisto um que não sorri… logo invisto, como uma fera indomável que nunca se satisfaz com o que já tem.

Olhares, uma meia conversa jogada fora, outra meia conversa de sacanagens, meu nome, nome dele, aproximação, beijo, despedida, sorriso. Um ciclo repetitivo a toda balada. Talvez estivesse me enchendo daquilo, talvez tivesse me acomodado, mas eu me sentia vazio, como um objeto que só servia para alegrar os outros… ou eu me sentia importante, pois trazia a alegria pros outros?

Questionava-me todos os dias quando me atirava do pier no meio da balada, para atrair a atenção de todos. Desespero, suspiros, choro, risadas… Nunca existia a indiferença para mim. Nunca queria que existisse isso. Entretanto, eu não percebia que eu não estava nem aí pra eu mesmo. Existia para os outros, só e somente pros outros…

Quando voltava pra casa, com o raiar do sol no mar, minhas roupas molhadas, meu cabelo desengrenhado e uma vontade imensa de me deitar em qualquer canto, eu podia ouvir um músico em algum lugar do caminho a tocar uma melodia triste. Era um instrumento estranho. Não entendia de música, senão eletrônica… mas era um instrumento muito distindo. Suas notas ecoavam ao vento de uma maneira única e chegava sutilmente aos meus ouvidos. Sentia-me, então, como um pássaro errante e solitário, mas belo… muito belo…

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Inspirações – II

11 12 2010

Solitude

Da janela do meu quarto, ficava eu a observar as pessoas passeando pela rua, enquanto o sol se punha vagarosamente sob as ondas do mar. Eram pessoas de todos os tipos… alegres, tristes, apaixonadas, enraivecidas… mas todas me pareciam iguais. Tinham sentimentos por alguém, mesmo que esse alguém fosse a própria pessoa. Eu era diferente. Havia me desligado do mundo por opção. A solitude e a indiferença me confortam, me protegem e me fazem sentir seguro dentro delas. Ferido fui, e nunca me recuperei, mas obtive consolação nesse meu estado de isolamento.

Mas confesso que ainda espero que alguém penetre esse manto negro da reclusão e me tire daqui.

 

Jovem Urso





Inspirações

1 11 2010

Bom, hoje postarei algo diferente… Não aconteceu comigo, mas devido a coisas que li e vi por aí na net… acabei me inspirando. Vou passar a escrever textos assim com mais frequência.
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Ritual

 

Preso estava eu novamente, neste mundo inglório, onde o sol se põe ao som do lamento incessante dos motores dos carros engarrafados em plena Marginal… A noite fria se aproximava de maneira sorrateira, e era nela que eu encontrava o meu conforto. Noite escura… Trevas… Luz de velas. Luz de velas?…

Devia eu ter feito algo muito ruim, ah devia! Estava preso desde que o sol raiou e não sabia o porquê. Observava o céu com certa indiferença, pois sabia que não ia adiantar pedir, implorar ou gritar… Tinha que simplesmente esperar pela sua volta… Ele era o único que poderia me libertar… Aliás… mesmo estando preso, estava mais livre do que nunca…

Quando o conheci, eu não era mais do que um simples ímpio, um imbecil nesse mundo cão de hoje em dia, trabalhando da aurora ao crepúsculo, num cubículo 2×2 de feito de umas divisórias pra lá de vagabundas, suando em bicas e quase passando mal de tanto calor naquela salinha infernal, mesmo sabendo que do lado de fora faziam 15ºC e chovia fortemente. E justamente num desses dias é que ele me apareceu.

Sentia meu corpo pesado, molhado de suor, sem vida… Eram 20 horas quando finalmente consegui me livrar de todas aquela papelada que meu chefe havia colocado em minha mesa 3 minutos antes do meu horário de saída… 3 minutos… Se não fossem aqueles malditos 3 minutos… Ou deveria dizer benditos 3 minutos? Depende… Se tivesse saído no horário, pegaria o ônibus lotado, sacolejaria durante umas duas horas até a minha casa, onde chegaria estafado, tomaria um banho frio, comeria comida requentada e dormiria numa cama dura, e o ciclo se iniciaria novamente no dia seguinte… E no outro… E no outro…

Mas não naquele dia.

20 horas. A chuva estava mais forte do que nunca. Pareciam canivetes tentando rasgar minha roupa e a pele escondida sob as vestes. Estava indo a pé até a estação de metrô, que ficava bem longe de onde eu trabalhava. O trânsito nas vias principais estava infernal, então pegar um ônibus era virtualmente inviável. Sentia-me mal, fraco, com frio. Minha visão estava duplamente turva, por causa da grossa chuva e da minha fraqueza. Resolvi mudar meu caminho por uma ruazinha mais vazia, assim não precisaria ficar vendo aquele trânsito angustiante.

Era uma rua estreita, onde um caminhão certamente não passaria, e, quem sabe, um carro de porte maior também não. Para minha surpresa, ouço o ronco de um motor vindo de algum lugar à minha frente. O carro parecia estar em alta velocidade… E ele estava naquela rua! Dois segundos depois, o carro estava freando a centímetros de distância de mim. Atônito, comecei a tremer mais do que o normal. Por sorte não morri…

Eis que, de dentro do carro, sai um senhor corpulento. Não consigo ver seu rosto, somente sua silhueta projetada em meio à chuva. Quando ia me aproximar para dizer algo, um súbito breu tomou minha visão. Tinha caído inconsciente…

Só acordaria horas depois, no meio de alguns cobertores muito macios e um colchão muito confortável. Aquela não era a minha casa. Lentamente abri meus olhos e vi aquele homem corpulento sentado de costas para mim na enorme cama. Lentamente ele se virou e logo fitei seus olhos, que pareciam penetrar minha alma. Ele me disse que eu havia desmaiado no meio daquela chuvarada e que me trouxe até sua casa. Eu estava com hipotermia e, para a minha sorte, ele era médico. Mais um pouco naquela chuva e eu poderia ter sérias complicações no meu corpo, segundo ele. Agradeci encarecidamente e disse que já iria embora, para não causar mais transtornos a ele, porém senti sua mão firme segurando minha perna na cama. Era tão forte, que não conseguia sair da cama, mas ao mesmo tempo era muito gentil, pois não estava me machucando. Ele falou que eu poderia ficar o tempo que quisesse ali, que não seria incômodo algum. De modo acintoso, ele começou a se aproximar de mim na cama. Assustado, encolhi-me num canto. Com uma voz grave e suave, ele disse:

– Eu não quero o seu mal.

Sua mão grande e áspera tocou minha face. Senti-me pequeno e tomado por aquele homem. Mais uma vez, nossos olhos se encontraram, mas dessa vez, senti minha alma sendo sugada e se misturando com a dele, numa perfeita sincronia, ao passo que sua língua invadia a minha boca e enchia minha mente de desenhos e sonhos… Em 25 anos, eu nunca tinha sentido tal demonstração de carinho por parte de ninguém, e era um total desconhecido que estava fazendo aquilo comigo… Desconhecido… Desconhecido?

Por um segundo, recobrei minha sanidade, apesar da paixão e intensidade despertadas em meu âmago. Interrompi aquele beijo imediatamente e pulei da cama. Eu estava nu. O que aquele cara tinha feito comigo enquanto eu estava inconsciente? O que eu ainda estava fazendo aqui? Ele se aproximou, com sua imponência quase que paternal, confortou-me em seus braços e sussurrou em meu ouvido que eu estava nu pois as minhas roupas estavam ensopadas demais e os cobertores me esquentariam melhor se estivesse pelado. Nesse instante, notei uma poltrona ao lado da grande cama. Havia uma manta e umas peças de roupa ali. Percebi que ele tinha dormido lá, e não na cama comigo. Suas intenções não eram totalmente maliciosas.

Depois de termos nos entendido, ele me preparou algo para comer. Conversamos sobre coisas banais, durante a refeição, até que um longo silêncio se seguiu. Dessa vez, eu me aproximei daquele senhor corpulento e o beijei, contudo, ele não aceitava ser beijado passivamente. Sua boca quase me engoliu novamente, e senti minhas forças serem drenadas novamente e sendo unidas às dele. Entremeio àqueles beijos, ele proferiu as seguintes palavras, com sua voz de trovão gentil:

– Você é meu, e serei seu senhor daqui pra frente.

Desde então, minha vida se tornou um paraíso. Não por causa dos meus interesses, que acabaram sendo bancados pelo meu senhor. Minha faculdade, minhas novas roupas, meu emprego em sua empresa. Eu sempre dizia que só precisava de uma ajuda financeira para começar, porque de resto eu poderia me virar, contudo ele insistia em pagar tudo para mim. Era melhor aceitar algo que me incomodava do que contrariá-lo. Toda vez que o fazia, meu senhor ficava agressivo e, depois, ficava frio, muito frio comigo. Isso me cortava por dentro. Era pior do que qualquer castigo. Suas crises de indiferença ainda me matariam…

Bom… acho que não foi por isso que vim parar algemado nesse porão. Não tinha feito nada de errado. Ele havia me prendido sem dizer nada durante a manhã. Só disse que à noite ele voltava. Eu não estava inconfortável naquela posição, com os braços e pernas estendidas, mas estava começando a ficar com fome e um pouco de frio… Já tinha ficado ali por mais tempo do que estava acostumado. Estava ansioso e excitado pela sua chegada…

Eis que, quando menos espero, vejo seus olhos verdes e penetrantes me espiando na entrada do porão. Ele já estava trajando seu costumeiro traje de couro que eu tanto gostava, e pelo visto havia limpado e lustrado também, pois quando ele acionou a meia-luz do porão, vi seu corpo reluzir e o cheiro de couro invadir lentamente o recinto e que se intensificava a cada degrau que ele descia, a cada metro que ele ficava mais próximo de mim… Logo, seus olhos estavam a centímetros do meu, suas mãos grandes seguravam meu rosto e logo senti sua barba grisalha e cerrada, porém cuidadosamente aparada, roçar o meu rosto. Suas mãos desceram pelo meu corpo, brincando um pouco com meus mamilos e depois continuaram seu caminho até chegar no meu músculo sólido e em riste, explodindo e excitação.

– Você foi um bom menino. Merece um prêmio – disse ele, no meu ouvido.

E assim ele recomeçava o seu ritual.

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Espero que tenham gostado. Vou sempre postar com a tag e categoria “Inspirações”. É meio amador. Não estou acostumado a escrever coisas c/ teor erótico. Acho que preciso de um pouco mais de vivência pra escrever algo mais realista… Se ficou meio clichê, me digam, por favor.

Despeço-me aqui, talvez essa semana poste algo sobre mim, mas não é garantido. Tenho algumas provas e trabalhos… ‘-‘

 

Filhote Solitário








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